7 anos depois da abertura da Olarikaya, a roda da experimentação e aprofundamento concluiu a primeira volta. Do utilitário ao decorativo, dos bules às composições, dos instrumentos musicais aos estudos de forma, das esculturas sonoras às séries de taças, copos, garrafas e jarros, fomos passando pelos temas que nos suscitaram interesse, dentro da perspectica da Cerâmica que descobrimos ser a nossa. Assumimos um compromisso com a qualidade estética e funcional, com a investigação e a experimentação de pastas, vidrados e atmosferas. Construímos fornos, rodámos muito, descobrimos formas de ser e estar com o barro. Brincámos com o Fogo, movidos a lenha e a gás, criámos e reciclámos pastas e técnicas antigas. Viajámos para outras culturas, bebemos da fonte, trocámos experiências e desenvolvemos competências mas, sobretudo, aprendemos muito. Estivémos em feiras de artesanato, exposições anuais, bienais, workshops, escolas, acções de divulgação e sensibilização. Muitas pessoas passaram por cá, levando e deixando um pouco da sua experiência e curiosidade. Acreditamos que para algumas, a Cerâmica passou a fazer parte das suas vidas tanto quanto da nossa. E faríamos tudo de novo outra de vez. Por isso, deixamos aqui grande parte dos trabalhos desenvolvidos até hoje, imagens dos anos decorridos e das formas que nasceram por cá. Algumas foram publicadas e retiradas no decurso normal das temporadas. Como se trata de começar um novo ciclo, optámos por ilustrar o nosso passado recente, porque vamos abrir outra porta...
Aqui chegados, 7 anos depois, com tudo integrado, abrimos outro ciclo, pessoal e colectivo. Já sabemos do que somos capazes. A partir do próximo ano, vamos em busca do que não sabemos, usando tudo o que aprendemos, criaremos novas formas, novas estéticas, novas funcionalidades. O mundo está a mudar. As novas perguntas são também as nossas. Queremos estar integrados no mundo que nos rodeia, mesmo que não nos identifiquemos com grande parte do que acontece hoje, mesmo que seja na contracorrente do pessimismo galopante dos acomodados. Seremos parte dos indignados oleiros, que se recusam a rodear-se de plástico e artificialidades afins, que recusam contentar-se com a mediocridade de quem decide por nós, parte dos regressados ao sentido da Natureza integral e respectiva ordem dos elementos, criando alternativas sustentáveis e conscientes, que não se acumulem em prateleiras ou sejam facilmente descartáveís; seremos parte dos que arriscaram ficar por cá e criar a partir do que existe, recusando outras paragens e outros desafios.. Por agora, o nosso lugar é aqui, o desafio é este e é com isto que criaremos um caminho diferente. Recusamos diluir-nos no marasmo dos descontentes passivos. E porque o nosso papel é alquímico, trataremos da criação de novas formas de estar e Ser por aqui, obras nascidas daquilo em que acreditamos e que não queremos ver desaparecer: a nossa Humanidade. Vamos trabalhar com o que temos, porque nunca como hoje, as palavras de Shoji Hamada fizeram tanto sentido: quem trabalha com o que o rodeia, cria peças mais verdadeiras... Em 2012, abre-se outra porta...